Por que a Seleção Brasileira Masculina de Futebol não chega mais as finais das Copas?

É uma soma de vários fatores, mas vejo um que se sobressai: muita gente tem a cabeça parada no tempo e ainda sonha com “futebol arte”, “espetáculo” e blábláblás semelhantes.

O Brasil perdeu a Copa de 1982 justamente porque o Telê confiou demais no “jogo bonito” e cuidou de menos da parte tática. Após aquela derrota, entretanto, a Seleção Brasileira mostrou (ou pareceu ter mostrado) ter aprendido a lição, como prova a campanha tecnicamente irretocável do Tetra em 1994.

Só que até hoje (50 anos depois do Tri e 38 anos depois do fracasso do Sarriá) ainda existem viúvas que acham que espetáculo ganha jogo. Essas viúvas, entre outros feitos, elegeram Dunga como o “anticristo” do futebol e passaram todo o quadriênio 2006–2010 (quando o capitão do Tetra foi técnico da Seleção) procurando pelo em ovo e rezando para acontecer alguma coisa que justificasse todas as críticas mal-humoradas que eles queriam fazer mas que os resultados (Campeão da Copa América 2007, da Copa das Confederações 2009 e da chave sul-americana das Eliminatórias para a Copa de 2010) não permitiam.

E aí aconteceu o maior dos azares: no início de 2010 surgiu um moleque mascarado e cai-cai que teve a sorte de estrear contra potências como Naviraiense e Sertãozinho. E a imprensa telezista chegou ao êxtase ao encontrar num mero malabarista, que goleava um zero à esquerda atras do outro, o ícone do antidunguismo. Essa imprensa se esqueceu de que o Naviraiense não ia disputar a Copa da África do Sul, se esqueceu de que juízes de Copa do Mundo não marcam falta/pênalti em qualquer resvaladinha, e crucificou o Dunga e endeusou o Neymar até não poder mais.

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Resultado: chegamos a 2014 com todos acreditando piamente que Neymarketing era o messias redentor que iria ganhar a Copa sozinho, dando espetáculo, assobiando e chupando cana, e deu no que deu.

O pseudocraque não fez nada digno de nota nos cinco primeiros jogos do Brasil e, quando saiu gravemente lesionado do jogo contra a Colômbia, em vez de discursos sensatos e encorajadores, ressaltando a importância do conjunto, a imprensa setentista assumiu a patética posição de chorar desesperadamente como se a Seleção sem Neymáscara fosse o Íbis.

O resto da história todos sabem: o Brasil entrou em campo chorando, tremendo e molhando as calças e tomou 7×1 da Alemanha como tomaria de qualquer um naquele dia, pois naquele jogo o Brasil, no frigir dos ovos, deu W.O..

E a imprensa garrinchista aprendeu? Sossegou? Nada disso. Quatro anos depois, lá estava o mesmo povo esperando que o “novo Pelé” carregasse o Brasil nas costas nos campos russos. E todos vimos o resultado: derrota para a Bélgica e a vergonhosa paródia da Aquarela do Brasil, com a letra preenchida por “ai ai ai ai ai ai”, cantada pela torcida belga.

Então, para resumir:

1 – Existe uma imprensa que parou no tempo e ainda acha que espetáculo ganha jogo. Essa imprensa não só pressiona por coisas que não fazem mais sentido no século XXI como, em época de Copa do Mundo, perturba mais ainda com suas cobranças e comparações insensatas, e compromete a tranquilidade dos jogadores.

2 – Essa mesma imprensa criou um monstro, que acredita piamente ser a única bolacha do pacote, ao mesmo tempo em que acha que o mundo gira em volta do seu umbigo e se esquecem de que futebol é um esporte coletivo.

Está aí a Copa América de 2019 (o melhor desempenho da Seleção desde o fim da geração do Penta) para me dar razão: sem o “centro do universo” em campo, o time se tornou coletivamente muito melhor.

Fonte: quora.com

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